 |
|
PAÍS DE ALICE
Domingo, Setembro 20, 2009:
Às vezes acho que o tempo parou
ou fui eu quem parou?
Parei pra ser feliz
pra ver o mar vir e voltar
a lua, acordar e dormir
o sol...
parei pra ver o sapo na lagoa
o que não lava o pé
o que não tem
focinho nem orelha.
Parei pra ser feliz simplesmente
olhar a vida lentamente
e ver passar por mim
entre meus dedos
o vento
que sacode a poeira
que sopra os cabelos
que me refresca
neste clima de 40º.
Parei pra beijar meu amor
pra sentir o beijo
dos meus meninos
eternamente...
Parei pra lembrar os amigos
e reler suas cartas
e, ao procurá-los...
quão tarde já é
eles se foram
tantos deles...
me deu um aperto no peito
porque o tempo não pára
nem pra gente dar aquele abraço
a última despedida
Parei.
Parei e me olhei num espelho
"ninguém te ama como eu'
falei.
E me amei inteiramente
loucamente
toquei-me suavemente
e me senti viva.
Senti que a vida triunfa
solidariamente
só não vê quem não quer
quem não pára
de vez em quando
pra sentir
pra amar
pra perceber
o tempo
o tempo sobre a pele
sobre os pulsos
sobre o mar
sobre as árvores
sobre tudo.
Porque o tempo...
não pára.
Alice Xavier
Comments:
Alice Gomes Xavier // 10:41 AM
______________________
Sexta-feira, Setembro 04, 2009:
Borboletas
Chegou a hora. Sim, é preciso ser forte, porque amanhã não vai dar pra voltar atrás. Já tentamos tantas vezes, entre sexo, beijos e telefonemas, mas há algo que nos distancia. Não acredito totalmente em destino, mas parece que não fomos feitos um para o outro. Acho que, na verdade, não te conheço. Você é um e a pessoa que amo, apenas fruto dos meus sonhos; imagem que contemplo e anseio. Você é a opção mais bela pra eu acreditar que o amor existe. E com ele, o príncipe encantado dos cavalos brancos. Rostinho bonito, corpinho perfeito, belo sorriso sobre a língua quente, imaculada. Dono dos versos mais doces, das palavras escondidas entre a incompreensão da vida. Interrogas a verdade quando tudo o que é bom parece irrealidade. E o sonho é o mundo em que vivemos, entre borboletas e esperanças.
No entanto, o mundo me chama. Preciso daquela realidade em que acordar, trabalhar e dormir é uma rotina comum. Não posso me alimentar de versos e desejos. E olha que você já me disse tudo isso na nossa primeira despedida. Foi eu quem quis continuar sonhando. Mas você aceitou. Mesmo distantes, a gente se encontrava em sonhos. E mesmo em sonhos, as borboletas estavam lá. E a gente vivia uma realidade que só nós mesmos podemos acreditar. Porém, uma realidade, finita pelo despertar do dia, do despertador desesperado do celular. E por dentro, eu morria por tua falta.
Você era a minha esperança, minha verdade almejada, mas foi indo lentamente pra bem longe de mim. E eu não posso mais esperar por você. Vou sentir saudades. Saudadae das tuas lasanhas inventadas, com ervilha e milho verde. Saudades da mesa de seu apartamento, com meus bilhetes antigos, os da sua mãe dizendo que o ama. Saudades do chão, embaixo da mesma mesa, enquanta assava a lasanha. Da cama e do duende verde sobre o travesseiro. Saudades do teu lençol rasgado, do cheiro do seu cigarro amargo e até das noites em que você sumia, me traindo com teus entorpecentes.
E eu nem sei mais o que te agrada e o que te guarda. Como eu disse antes, não te conheço. Como eu gostaria neste momento último de te adivinhar...
Talvez no mundo não haja alguém pra te amar mais do que eu amo. Talvez no mundo não haja alguém que me faça sonhar tanto, como você me faz. Que não me deseje tanto, que não me faça insana o suficiente pra desejar a vida como eu a desejo. Talvez eu não encontre alguém pra dividir comigo essa loucura perene e necessária. Mas eu me despeço. E me despedindo, entrego-te meu último beijo, meu sonho de viver contigo eternamente. Entrego-te as borboletas para que enfeite a sua casa com meu amor, que lhe é fiel para sempre.
Fico com tua lágrima doce sobre minha face, tuas mãos a me segurar o rosto, teu beijo ardente... fico com aquela rosa vermelha, de uma visista inesperada. Guardo tua poesia mais sincera, teu desejo de me beijar aquele dia... e me reconstruo todos os dias sobre nossos sonhos, para a realidade comum do mundo.
Alice
........
Esse texto é um meme proposto por Isa Sousa. A idéia é escrever um texto como se rompesse com alguém. Regras do meme: 1) Escrever uma carta como se estivesse rompendo com seu namorado. 2) Escrever estas regras e uma breve explicação do que é o meme. 3) Indicar cinco pessoas.
........
Adorei ter sido escolhida pela Lian. Foi fácil me despedir de uma velha imagem, talvez intrínseca, de minha memória. Com a Lian mesmo disse, "escrevê-lo foi uma espécie de catarse, deixar fluir o dito e o não-dito ao amor simbólico, esse que é feito dos amores do passado, da experiência presente e da projeção de futuro."
........
Os meus indicados são: Dheyne, Karla, Márcio, Andrea e Yo Carmo
Comments:
Alice Gomes Xavier // 11:12 AM
______________________
|
|
|