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PAÍS DE ALICE
Sexta-feira, Janeiro 29, 2010:
CONHEÇA (E ACOMPANHE) MEU NOVO BLOG:
www.paisalice.blogspot.com
Alice Gomes Xavier // 8:45 AM
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Sexta-feira, Janeiro 08, 2010:
Encontro-me tantas vezes em corações partidos,
constantes enchurradas.
O vento toca o sino das chegadas,
a chuva anuncia as partidas.
Parto.
Em vez do pranto,
a ansiedade.
Entre sentimentos de dor
e desesspero
encontro a solidão:
caminho para a estrada
consagrada dos arrependimentos vazios.
Rir...
alternativa A
resultado: esperança.
Inundo na lama gelada
a culpa amarga
o doce novo desejo
brota sonhos futuros
Passado?
Culpe a morte,
Eu quero o presente.
Alice Xavier
Alice Gomes Xavier // 10:32 PM
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Quarta-feira, Outubro 21, 2009:
O primeiro beijo
O primeiro é sempre assim, a gente nunca esquece. Disso estamos cansados de saber. Não esquecemos o primeiro amor, o primeiro encontro, o primeiro namorado, o primeiro fora, o primeiro (e, felizmente, o último) cigarro, o primeiro carro, o primeiro... e uma lista de coisinhas importantes dessa nossa vidinha tão comum. Mas não esquecemos por quê? A gente costuma lembrar de vez em quando? Sonhar acordado com a língua daquele menino, com a fumaça do cigarro entopindo as narinas ou com o choro desesperado depois de um "pé na bunda"?
Sinceramente, depois que eu "cresci", não me lembro de mais nada. Até que uma bela imagem me apareceu na cabeça hoje cedo. Eu, escondida numa barraca de um acampamento no Rio Araguaia, com medo do menino que queria me beijar. 1991. Eu tinha 12 anos de idade. Um primo não me deixa esquecer. Claro, ele era o vigia. (Bruno, eu te amo!) Depois de uma guerra de línguas, saí correndo pela praia, feito boba (aos 12 anos somos todas bobas), e ele tentando me pegar. ahuauhahauhuahauhauhauhauahua. que ridículo. um filme adolescente, água com açúcar.
Na verdade, às vezes, aos 30 anos de idade, me pego escondida na barraca. Ainda são sete horas da noite, longe da hora de ir dormir, e eu estou escondida. Com medo do beijo ou sabe-se lá o quê. Descubro que ainda não dei o primeiro beijo. Aquele, sabe?!!!! Espero ansiosa a chegada do meu marido e quando ele chega (eu quietinha esperando no quarto) ele pula na cama e diz: "To pregado!" - ou liga o computador e diz que tem milhões de coisas pra fazer. Manda um beijinho sem graça e eu fiquei sem meu beijo.
Claro que tivemos o primeiro beijo, os beijos apaixonados, os ardentes, os românticos, os silenciosos, os estalados, os inesquecívei e os que nem lembro se realmente aconteceram. E sei lá quantos mais. Bons ou não, eram beijos. No entanto, ainda aguardo o meu primeiro beijo. O beijo que não mais esquecerei. Não pelas circunstâncias, mas pelo próprio beijo. Intedependente do lugar, do momento, do tempo. Longe dos vigias, das canções, dos movimentos incessantes das línguas. O beijo único, ímpar. O delírio dos meus pensamentos.
E sei que quando eu menos esperar, virá meu eterno namorado, meu marido apaixonado (e sem tempo) e me presenteará com o aquele que nem ele conhecia. E nesse instante a eternidade findará. Um minuto ou mais, uma hora ou menos; Na esperança do relógio parar, num tempo que não exista. E então, escreverei, sem culpa: O meu primeiro beijo!.
Alice Xavier
Um beijo
Foste o beijo melhor da minha vida,
ou talvez o pior...Glória e tormento,
contigo à luz subi do firmamento,
contigo fui pela infernal descida!
Morreste, e o meu desejo não te olvida:
queimas-me o sangue, enches-me o pensamento,
e do teu gosto amargo me alimento,
e rolo-te na boca malferida.
Beijo extremo, meu prêmio e meu castigo,
batismo e extrema-unção, naquele instante
por que, feliz, eu não morri contigo?
Sinto-me o ardor, e o crepitar te escuto,
beijo divino! e anseio delirante,
na perpétua saudade de um minuto...
Olavo Bilac
Comments:
Alice Gomes Xavier // 10:04 PM
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Domingo, Setembro 20, 2009:
Às vezes acho que o tempo parou
ou fui eu quem parou?
Parei pra ser feliz
pra ver o mar vir e voltar
a lua, acordar e dormir
o sol...
parei pra ver o sapo na lagoa
o que não lava o pé
o que não tem
focinho nem orelha.
Parei pra ser feliz simplesmente
olhar a vida lentamente
e ver passar por mim
entre meus dedos
o vento
que sacode a poeira
que sopra os cabelos
que me refresca
neste clima de 40º.
Parei pra beijar meu amor
pra sentir o beijo
dos meus meninos
eternamente...
Parei pra lembrar os amigos
e reler suas cartas
e, ao procurá-los...
quão tarde já é
eles se foram
tantos deles...
me deu um aperto no peito
porque o tempo não pára
nem pra gente dar aquele abraço
a última despedida
Parei.
Parei e me olhei num espelho
"ninguém te ama como eu'
falei.
E me amei inteiramente
loucamente
toquei-me suavemente
e me senti viva.
Senti que a vida triunfa
solidariamente
só não vê quem não quer
quem não pára
de vez em quando
pra sentir
pra amar
pra perceber
o tempo
o tempo sobre a pele
sobre os pulsos
sobre o mar
sobre as árvores
sobre tudo.
Porque o tempo...
não pára.
Alice Xavier
Comments:
Alice Gomes Xavier // 10:41 AM
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